Coluna de Bedati Finokiet

O gado das reduções
30 de novembro de 2011 às 00:00
O gado das reduções
O Gado Chimarrão - Florián Paucke

Por volta de 1537, o cavalo chegou à região de Assunção, quando esta foi fundada pelos moradores da primeira Buenos Aires. A criação de gado vacum, equino e lanígero era feita separadamente para facilitar o trabalho evitando, por exemplo, a ameaça dos cavalos para as ovelhas e vacas prenhes.

Algumas famílias indígenas (posteiros) eram encarregadas de impedir a evasão do gado e de efetuar os necessários rodeios para amansá-lo e acostumá-lo ao homem e ao cavalo, com a finalidade de facilitar sua futura remoção para as invernadas. Visitas regulares às capelas desses posteiros eram feitas com regularidade pelos missionários para que eles não ficassem sem o atendimento espiritual.

A recolhida anual do gado podia durar dois meses e nunca se fazia por índios particulares, mas pela comunidade que encarregava dessa tarefa uns 40 ou 50 ginetes. Dando a cada um deles alguns cavalos e comida, despedia-os com muitos sinais de afeição e votos de feliz regresso. Chegados à estância, os índios deixavam algumas vacas mansas numa coxilha para onde tocavam o gado xucro dos arredores. À noite acendiam fogueiras em volta da manada para evitar sua dispersão. Um trovão ou uivo que assustasse o gado bastaria para provocar o estouro. Arrebanhando umas nove ou dez mil reses para o consumo anual, os vaqueiros as conduziam para as invernadas onde periodicamente se retirava algum gado para pequenos pastos, nas cercanias do povoado, segundo as necessidades dos matadouros.

Por Bedati Finokiet

Fonte: Jornal das Missões

Professora, Historiadora e Pedagoga. Mestre em Educação e Doutoranda em Antropologia Social pela Universidade Nacional de Missiones(Argentina)/UFRGS, integrante da Academia Santo-angelense de Letras. Quinzenalmente, assina a coluna Memória, aos sábados.

Email: bedati@terra.com.br

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