Coluna de Eliseu Mânica Júnior

Brasil: terceiro país em termos de importância econômica mundial
10 de fevereiro de 2012 às 14:30

Chama atenção a reportagem da Revista Exame, intitulada “O Brasil acha um caminho”, de 08/02/2012, mencionando, segundo a Reunião do Fórum Econômico Mundial, realizada anualmente em Davos, na Suíça, desde 1971, que o Brasil foi apontado como o terceiro país mais importante para as economias globalizadas, atrás apenas de China e Estados Unidos. 

Não é de hoje que tais reportagens retratam o Brasil como o país do futuro, suas qualidades e o enorme potencial que temos. Mas porquê tais comentários andam atualmente mais frequentes? O que mudou de alguns anos para cá para que tenhamos tanto destaque? Enumero abaixo tais fatores apontados pela reportagem e alguns que julgo pertinentes.

1) PIB crescendo: ano passado a economia pode ter crescido entre 2,7% e 3%. Já nesse ano as projeções vão de 3,3% a 4,5%;

2) Emprego estável: possuímos uma das menores taxas de desemprego de nossa história, com 6% de desemprego. Na Espanha esse número passa de 20% e nos Estados Unidos 8,3%. Atualmente, as empresas querem contratar, porém reclamam da falta de qualificação da mão-de-obra;

3) Inflação caindo: ano passado tivemos uma inflação de 6,44% e a projeção nesse ano é de que a inflação atinja 5,33%;

4) Juros em baixa: como forma de fazer a economia crescer ainda mais, o Governo procura diminuir a taxa de juros. A previsão para o final do ano é de 9,5%, a mais baixa desde 2010. Observo que com a queda dos juros, a tendência é que a renda fixa também diminua atratividade, pois irá render menos;

5) Estabilidade no Ministério da Fazenda: de 1985 a 1994 foram 12 Ministros que alternaram-se na função. A partir de 1994 até hoje foram apenas três ministros. Fazendo uma analogia, Ministro da Fazenda é como um treinador de futebol, que precisa de tempo para programar medidas necessárias para o crescimento saudável da economia do país. E nesses últimos anos isso foi possível. Pedro Malan ficou de 1995 a 2002 durante o Governo FHC; Antonio Palocci ficou até 2006 e Guido Mantega está até hoje. 

6) Brasil cresce consistentemente: Mesmo não crescendo a taxas indianas e chinesas, o Brasil cresce em média 3,6% desde o ano de 2000. É mais do que o dobro do crescimento econômico da década de 90, onde o crescimento foi de 1,5% ao ano. Estamos crescendo mais inclusive, o que crescemos na década de 80 na qual tivemos uma elevação anual de 3% no nosso PIB. Porém, além de uma melhora na nossa economia, também cabe ressaltar que o crescimento demonstrado vem sendo atingido de maneira estável, isso é com pouca volatilidade, sem os altos e baixos que antigamente tínhamos. Meu pai, inclusive comentava sobre isso: “Quando ocorria uma crise no exterior, a nossa economia caía muito mais, sentia muito mais. Agora vem sendo diferente!”

7) Taxa de investimento na economia vem crescendo: a taxa de investimento na economia saiu de um patamar de 15,9% em 2005 para 20% em 2011, o que é excelente! Há previsões que alcançaremos uma taxa de 22,5% de investimento/PIB. São investimentos necessários, realizados principalmente em infraestrutura, portos, rodovias, logística, etc.
8) Nível de risco-país decaindo: o nível de risco país é uma estimativa de como os estrangeiros vêem nossa economia. Inclui risco político, social e econômico. É medido em pontos e na prática reflete o custo que nossas empresas possuem para buscar capital no exterior. 
Devido aos fatores elencados acima mantenho uma visão positiva sobre nosso país. Sim, temos muito a melhorar, como na educação e saúde, com acesso universal para todos os cidadãos e claro, com qualidade. Saneamento básico ainda é precário. Na parte política, existem políticos que deixam a desejar. Não podemos generalizar mencionando todos. Temos sim, políticos que pensam no povo. A política é necessária para mudar nosso meio, porém sem paixões, amores por partidos que prejudicam um diálogo racional. O foco deve ser ideias e atitudes principalmente.
Apesar dos problemas ainda a ser sanados, temos que admitir que a evolução e o avanço dos últimos anos foram enormes. Na parte econômica e social a cada ano estamos ganhando importância no cenário internacional, como visto no texto. Tenho a expectativa de que um futuro brilhante nos aguarda. 
Bom final de semana para todos!

 Agente Autônomo de Investimentos, MBA em Mercado de Capitais pela FGV, aprovado pela Associação Nacional de Corretoras (ANCOR), CPA-20, Conteúdo Brasil (CB) e Conteúdo Técnico (CT) do Certificado Nacional dos Profissionais de Investimento (CNPI-T). Membro da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC) e do Instituto Nacional de Investidores (INI).

Email: eliseumanicajr@hotmail.com

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