Coluna de Pedro Belmonte

Collor
23 de Abril de 2016 às 07:55

Há 24 anos, vivíamos o impeachment do ex-presidente Fernando Collor,  por denúncias contra integrantes da sua equipe. Início do fim aconteceu depois da malograda convocação de Collor a que os brasileiros fossem às ruas “trajando verde e amarelo”. Resposta popular ocorreu no dia seguinte: 10 mil estudantes foram às ruas do Rio, em uma passeata, ao som de “um dois três, quatro, cinco, mil, queremos Collor fora do Brasil”. Movimentos similares ocorreram em outras capitais.

Collor II
Em São Paulo, 50 mil pessoas se reuniram no centro, portando faixas e, contrariando a Collor, vestindo roupas pretas. No encerramento da CPI criada para investigar o governo, foi decretado seu impeachment, em 29 de dezembro de 1992, levando-o a renunciar. Em 2002 voltou à política. Após alguns revezes se elegeu senador. Irmão mais novo, Pedro, autor das denúncias, morreu em 1994. No mesmo ano PC Farias foi preso em regime aberto. Em 1996, foi encontrado morto ao lado da namorada, Suzana Marcolino.

Impeachment
No domingo (17), de norte a sul, brasileiros se manifestaram contra e a favor ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Contrários integrantes de movimentos sociais, sindicais, do PT e partidos aliados, vestindo vermelho, foram pacificamente às ruas bradando ‘Não vai ter golpe’. Favoráveis, também em paz, sem identificação partidária, vestindo verde e amarelo gritavam ‘Fora Dilma’, ‘Impeachment já’. Parlamentares  revezaram-se em discursos.  Dedicaram  o voto às famílias, a Deus, aos moradores de rua, prefeitos e correligionários de suas cidades. Depois de 10 horas, o resultado acachapante de 367 votos favoráveis ao prosseguimento do processo, contra 146.

Impeachment II

Nos dias seguintes petistas prometeram,se derrotados no Senado, judicializar o impeachment. O advogado-geral da União, Eduardo Cardozo tem dito que o Governo voltará ao STF para freá-lo,  ignorando ao Supremo que convalidou o processo. Derrota resulta, basicamente, daquilo que o governo tem dificuldade: a falta de articulação política. Nem os benefícios oferecidos aos aliados mudaram o quadro. Possibilidade de a presidente ser afastada, apesar de o PT repetir a acusação de  golpe, decorre dos enormes problemas de governança neste segundo mandato.

Impeachment III
Pedaladas ocorridas em 2014 (que continuaram em 2015, conforme fonte do TCU) seriam fortes motivos para a avassaladora votação de domingo. A  corrupção, assim como uma economia em frangalhos, dificuldades para manter os programas sociais, os mais de 10 milhões de desempregados, a inflação crescente – inobstante fora dos autos –, igualmente concorreram para a esmagadora votação favorável ao impeachment.

Impeachment IV
Caso confirmado no Senado, atenções se voltarão  ao novo governo. Ele terá pela frente a reconquista da confiança dos investidores e da população. Terá que ser habilidoso e contar com o Congresso para editar medidas que reconduzam ao crescimento. Mesmo que impopulares, terão que ser adotadas para que, em médio prazo, o país consiga recuperar suas melhores perspectivas econômicas, políticas e sociais, com solidez e, principalmente sem a descontinuidade dos programas sociais. Que a operação Lava-Jato prossiga, doa a quem doer.

Impeachment V
Mas, nada está  decidido. Dilma respira.  Nos dias seguintes  à derrota, se dizendo ‘injustiçada’, afirmou a impressa nacional e estrangeira, que lutará até o fim, como sempre fez na sua vida. Cutucou a oposição sentenciando que “o Brasil tem um veio golpista adormecido”. Tentando virar o jogo, cogita liberar empréstimos a estados e municípios. Todavia, membros do ministério avaliam como dificílima a tarefa de atrair votos e impedir seu afastamento.

Delcídio
Na segunda-feira seguinte à votação na Câmara, o senador, sem partido, Delcídio Amaral, falou a revista ISTOÉ. Insistiu que Aloízio Mercadante agia a mando de Dilma, o que confirmará em nova delação. Delcídio cobra medidas contra o ministro da Educação. ‘Ele está impune’ – lamentou.  Demonstrou preocupação nesta nova etapa do impeachment. Conforme o senador,  tentarão desconstruir ao vice Michel Temer e ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Renan
Presidente do Senado, Renan Calheiro, aliado ao Governo,  terá que cumprir  ritos estabelecidos pelo plenário do STF. Sem procrastinar. Mas, rito já foi interrompido pelo feriadão decretado por Renan. Somente na segunda-feira (25), será eleita a Comissão de Impeachment. Atraso foi criticado por oposicionistas, preocupados com o quadro de indefinição política, criado depois da aprovação na Câmara, que trabalhou no  fim-de-semana. Eduardo  Cunha avisou que não haverá votação  enquanto o impeachment estiver parado. Julgamento “será de mérito, se há ou não  crime de responsabilidade” – avisou Renan. 

Programa
Unanimemente  AL aprovou projeto do deputado missioneiro, Eduardo Loureiro, instituindo o Programa Estadual de Orientação sobre Síndrome de Down. Segue para sanção do governador Sartori. Ainda aprovada, a Semana de Conscientização anual, entre 21 e 28 de março. Programa será desenvolvido com participação do governo e da sociedade civil.

Nardes
Nome a ser lembrado no atual processo  é o do santo-angelense Augusto Nardes, Ministro do TCU. Como relator das contas de 2014 de Dilma, elaborou relatório condenando-as e indicando que fossem rejeitadas. Após  sessão na Câmara, postou na minha página na internet: “Amigo, obrigado por ter me ajudado lá no inicio. Mudamos a história do Brasil. Cumpri meu dever como brasileiro e patriota. Grande abraço”.

Mosquito
Prefeitura de Santo Ângelo efetuou limpeza na área do antigo estádio do Elite. Ali deverá ser a sede do Centro Administrativo. Mas, as obras não serão iniciadas já. Serviço de limpeza foi para evitar proliferação de mosquitos.
 

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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