Coluna de Pedro Belmonte

Rádio nos anos 1960
04 de Junho de 2016 às 06:55

Os anos 1960 foram de mudanças na rádio  Santo Ângelo. Antigos métodos cediam espaço à modernidade. Gravadores portáteis facilitavam ir ao encontro da notícia. O telégrafo e o teletipo transmitiam as notícias geradas pelas  agências da época. Quem utilizasse esse ferramental, que possibilitava agilidade na informação, dominava a audiência.Quando José Alcebíades de Oliveira, o Oliveira Júnior, com passagens pelas rádios Passo Fundo e  Farroupilha assumiu a gerência da rádio Santo Ângelo, em 1964,promoveu uma serie de inovações.

Rádio nos anos 1960 II
Recrutou o telegrafista aposentado da Viação Férrea, Romalino Soares Bandeira, para rastrear as agências de noticias. Esse trabalho era repartido com sua atividade principal, de recepcionista da ZYF-6. Vivíamos plugados nas rádios de Porto Alegre, Rio e São Paulo, gravando os noticiários que condensávamos e jogávamos no ‘Grande Jornal Falado’, das 12h25, ‘O Globo em Foco’ das 18h45min e na ‘Grande Resenha Informativa’, das 22h, que eu ajudava a redigir e apresentava,  com o locutor do horário.

Rádio nos anos 1960 III
Com noticiários atualizados por conta dessas plataformas, demos descanso ao ‘tesoura-press’ (recortar textos de jornais e revistas e colocar nos noticiários), comum nas emissoras do interior daqueles tempos. Produzíamos a notícia, buscando-a na fonte.  Isso fez com que nos aprimorássemos, nos acostumando a essa prática que concede credibilidade ao veículo, formando o elo, a sinergia com o ouvinte. Hoje, na era da cibernética, tudo ficou mais  fácil, com o aproveitamento das várias plataformas de jornalismo e entretenimento postados  na rede,  geralmente online.

Lembranças
Buzinaços e panelaços foram a tônica de 1984. Tempo de ‘Diretas Já’.  Esperávamos votar em presidente.   Santo-angelenses, como o Dr. Pedro Osório do Nascimento, João Carlos do Nascimento e Silva, João Antônio, Vítor Rubens, Túlio e Renato do Nascimento, criaram no município o Partido Popular, a convite de Tancredo Neves. Nas comemorações dos 30 anos da morte de Getúlio Vargas, Tancredo e outras lideranças de oposição visitaram São Borja. Estive lá com João Carlos e Adroaldo Mousquer Loureiro, diretor-fundador do Jornal das Missões.

Lembranças II
Como editor do JM, cobri a romaria ao túmulo de Getúlio, debaixo de chuva fina,  gelada e temperatura em forte declínio. Adroaldo e João Carlos mantiveram contatos políticos com Tancredo Neves, Leonel Brizola, Pedro Simon e Alceu Collares. Vivemos um  grande  momento da, então, embrionária democracia brasileira, naquele enregelante dia de agosto, 32 anos atrás. Eleito presidente, no ano seguinte, Tancredo morreu antes de assumir, em 21 de abril de 1985. Tancredo, Adroaldo, falecido em 12 de  fevereiro deste ano e João Carlos,  que morreu em janeiro de 1996,  personagens desse dia, hoje são   sentidas lembranças.

Reindustrialização
Há muito escrevo sobre o grande desafio  aos aspirantes a prefeito:  a reindustrialização de Santo Ângelo.
Entre  as décadas de 60 e 80, indústrias nasceram ou se revitalizaram no meio do boom trigo-soja. Encerrado o ciclo,  minguaram, fecharam, ainda que algumas resistissem, diversificando sua planta de atividade.
Agora que se avizinha campanha para eleição (ou reeleição) do prefeito, o tema poderia constar dos programas politico-econômico-sociais dos candidatos.

Reindustrialização II

Essa demonstração de visão do  futuro  do município será muito bem recebida por empresários, instituições acadêmicas e  de serviço. Tais agentes  poderiam  se incorporar na elaboração do programa de governo pela sua transformação em um  município industrial, respeitadas suas vocações. Dentre tantos benefícios,  o aproveitamento dos jovens,  anualmente colocados no mercado e, sem perspectivas, deixam o município,  buscando trabalho. Igualmente, pode   facilitar na captação de investidores e  respaldar os pleitos a serem dirigidos   ao Estado e a União pela futura administração. Tudo em nome de criar  condições de governabilidade e a expansão da economia do município.

Campanha
Aproxima-se campanha eleitoral para escolha de prefeito, vice e vereadores. O cidadão aguarda a apresentação de programas para melhorar o município, em diversos setores,  sem  discussões estéreis, contraproducentes. O eleitor pede seriedade, agendas que levem Santo Ângelo a melhorar na educação, saúde, geração de empregos, cuide da sua infraestrutura e demais áreas esquecidas ou que pouca atenção é dada. 

Campanha II
Esperam-se programas de governo capazes de manter o que estiver bem e incrementar inovações para um maior crescimento sócio-econômico-ambiental. Um planejamento consentâneo com as novas exigências, ações dirigidas à pesquisa apoiadas por instituições acadêmicas, são esperados dos aspirantes ao Executivo. A  população pede  arrojo, visão ampla, voltada ao futuro, sem esquecer o cotidiano da cidade.

Eleições
A cada eleição, aumenta o índice de abstenção, votos  brancos e anulados.  São paradoxais as  campanhas  estimulando não votar, sob a alegação de que politico não cumpre promessas, etc., etc. Na verdade,  a maioria trabalha   pelo bem comum. Com a proximidade  de nova eleição para  escolher prefeitos, vices e vereadores, seria salutar uma reflexão.
Contrariamente às campanhas dizendo não ao voto, além de comparecer e votar, eleitor deve escolher bem. Nas casas, nos bares, em todos os lugares, fale sobre políticos e  politica. Não votar, não fazer politica, proporcionará  chance aos descompromissados com o bem público.   Participe de debates, questione, apoie o seu candidato. Ajude a encontrar  o rumo certo do seu município.

Luz
Preço da energia elétrica  poderá diminuir nos próximos meses,  conforme informações do Governo. Diminuição deve-se a não utilização    das usinas termoelétricas de altos custos na geração de energia, repassados ao consumidor.
 

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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