Coluna de Pedro Belmonte

Adroaldo
11 de Junho de 2016 às 06:55

Quando fui surpreendido pelo telefonema de Adroaldo Loureiro – dias antes de ele falecer –, convidando-me a colaborar na sua biografia, fiquei desvanecido. Agora, recordando aquela segunda-feira, 8 de fevereiro, me veio à cabeça entrevista de Jacques Derrida, no ano em que morreu. Perguntava-se: “Como aprender a viver?”, concluindo que “aprender a viver é amadurecer e, também, educar: ensinar aos outros e, sobretudo a si mesmo”. Adiante grifava: “Aprender a viver pode ser isto, aprender-se? Ensinar-se?”. 

Adroaldo II
Na vida somos alunos e professores. Adroaldo foi aluno e professor de como ser filho, irmão, esposo, pai, amigo e cidadão. Como dentista, advogado, vereador, prefeito, deputado, secretário de Estado, presidente de estatal, líder comunitário, político e Conselheiro do TCE, dedicou o máximo das suas forças para executar com êxito, as tarefas que lhe cabiam. Respeitava ao extremo o que fazia. Era exigente, criterioso, naquilo que executava. O motivo de ter obtido sucesso, foi que aprendeu a viver e a repartir esse aprendizado. Soube ‘aprender-se’, ‘ensinar-se’. Digressiono por conta da passagem, amanhã, 12, de quatro meses sem Adroaldo.

Zamboni
No tempo em que coordenei o jornalismo e a programação da Sepé, convivi com excelentes colegas, ótimos seres humanos e grandes profissionais.  Muitos vivem, alguns estão na ativa, outros morreram. A emissora começava sua trajetória. Fizemos um rádio inovador, comunitário, participativo, integrando ouvinte-comunicador-emissora. Implantamos o jornalismo eletrônico. Há tempos recebi generoso e-mail do grande (como cidadão e no tamanho) Hilmar Derli Zamboni, trazendo emoção, reminiscências, escancarando seu amor por Santo Ângelo.

Zamboni II
Transcrevo: “Boa tarde, Pedro, meu professor no rádio! Que bons tempos àqueles idos de 1979/1984. Que saudades do microfone. Tenho lido frequentemente, 'online', a sua coluna, do professor Dr. Oscar Pinto Jung e do grande mestre Professor Mario Simon, no Jornal das Missões. Já estou residindo há 22 anos na bela cidade de Dois Irmãos, no pé da serra, entre Porto Alegre e Nova Petrópolis, onde estou estabelecido com escritório de advocacia aplicando os ensinamentos obtidos na nossa grande FADISA.

Zamboni III
Falo seguidamente com o Orestes. Mas tenho muita saudade de todos. Karlinski, Botega, Jairo, Antônio Paulo (hoje mora em Gramado) Luimar e você Pedro, com quem aprendi muito. Lembro-me seguidamente dos companheiros Isac Feijó e Juárez Lemos que já estão no oriente eterno.  Que tempo bom aquele Pedro. Um grande abraço a todos e desculpem-me aqueles que, eventualmente, tenha me esquecido. Falo seguido aqui em Dois Irmãos, Pedro, que se o mundo terminasse amanhã e me fosse dada oportunidade de escolher uma cidade para viver o último dia da minha vida, seria Santo Ângelo. Um grande abraço. Vou terminar aqui porque se não esse texto simples, mas tomado de emoção, irá virar um jornal.”.

Muhammad
Há dias morreu Cassius Clay, o imortal Muhammad Ali. Boxeador inteligente, falastrão, a quem Caetano Veloso cantou como ‘impávido’. Nunca o vi de perto, mas desde que venceu a Sony Liston, em 1964, tornando-se Campeão Mundial (que repetiria mais duas vezes), tivemos longa convivência. Recordo suas lutas memoráveis com Joe Frazier e George Foreman.  A convivência se encerra com a morte desse pacifista, que pagou alto preço ao não querer lutar no Vietnã. Condenado, perdeu o titulo que recuperou depois de evitar a prisão, apelando a Corte Suprema. Muhammad Ali ascendeu à categoria de mito.

Gestão
Realidade que aguarda aos futuros prefeitos é dura. O Governo Federal prevê luz no fim do túnel somente na metade de 2017.  Governantes das médias e grandes cidades gaúchas terão que administrar com parcos recursos reptos imensos. Deverá formular projetos para atrair investimentos, gastar bem os impostos do contribuinte, enxugar a paquidérmica e, às vezes, inoperante máquina pública. Não pode descartar diminuir secretarias e CCs, desde que não paralisem a prestação de serviços e sejam colocadas nas funções pessoas certas e qualificadas.

Padilha
Finalmente Michel Temer se deu conta que chamar envolvidos em corrupção a assessora-lo égol-contra. Ministro-Chefe da Casa Civil, gaúcho Eliseu Padilha, disse que envolvidos na Lava-jato, constrangem ao governo. Concordo plenamente.

Sabia
Delator Nestor Cerveró revelou que Dilma, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras, sabia das negociações. Entre elas a compra superfaturada da sucateada Refinaria de Pasadena.

Dilma
TCU poderá rejeitar contas de Dilma, referentes a 2015, pelo mesmo motivo de 2014: gastar sem recursos infringindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Continua julgamento de seu impeachment, no Senado, cujo veredito ocorre em agosto. Sexta-feira, em Porto Alegre, na Esquina Democrática, dirigindo-se a políticos e manifestantes, voltou a classificar o processo de ‘golpe’. Em nota negou ter feito campanha com dinheiro da corrupção. Entrementes, dedica seus dias a postagens no Facebook. Já Lula da Silva quer sua volta para ‘repararem os erros’.

Transpetro
Delação do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, é nitroglicerina pura. Machado teria repassado R$ 30 milhões ao senador Renan Calheiros, R$ 20 milhões ao ex-presidente José Sarney e R$ 20 milhões ao senador Romero Jucá. Terça-feira, 7, Procurador Rodrigo Janot mandou prender Renan, Jucá, Eduardo Cunha e colocar uma tornozeleira eletrônica em Sarney, por obstruírem a Lava-Jato. Quinta-feira, 9, enquanto encerro a coluna, ainda não havia decisão do ministro Teori Zavascki.
 

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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