Coluna de Pedro Belmonte

JM
25 de Junho de 2016 às 07:55

15 de junho. Data emblemática para o jornalismo gaúcho. Naquele dia, em 1983, foi às ruas e bancas a primeira edição do Jornal das Missões. Desde então, se transformou no companheiro da comunidade santo-angelense e regional. Suas páginas são franqueadas a artigos e comentários, mesmo não refletindo sua linha editorial ou filosófica. Meu primeiro contato com o JM foi no mês em que apagava sua primeira das 33 velinhas da sua existência. Fui seu editor no restante de 1984, retornando em 1987.

JM II

Nesses períodos as mudanças gráfico-editoriais foram lentas, mas eficazes. Atualmente em sede própria, ferramental moderno, sua periodicidade é trissemanal. Vitoriosas campanhas institucionais, equilibrada linha editorial, informando, formando opiniões, sem ranços, com pluralidade, colocando os interesses comunitários como paradigmas, são marcas desses 33 anos, inspirados na utopia de seu idealizador, o visionário Adroaldo. Há anos está sob a batuta de Neiva, que rege uma equipe afinada.

Chagas
Em 2011 o coronel reformado da BM, Juárez de Oliveira Chagas bandeava-se a “terra sem males”, como conceituava, metaforicamente, a morte. O conheci no meio dos anos 1970, numa situação peculiar, enquanto cobria, para Zero Hora, AESA x Internacional, no estádio Assis Brasil Ramos Escobar. Durante confusão, a PM interveio. O comandante, jovem tenente, acidentalmente, deixou cair seu revólver. Relatei na resenha do jogo e houve repercussão nacional.

Chagas II
O tempo sarou a mágoa incidental. Quando o convidei a participar de ‘Santo-angelenses’, escancarou seu coração numa ode dedicada às filhas com Iria Maria: “Veio a Mariana, a primogênita, que nasceu quando os Ipês da Brasil ficam floridos, prenunciando as festas setembrinas. Depois veio a Juliana, a Ju. Foi meu melhor presente de Natal, mesmo tendo nascido em novembro.”.

Perdas
Passaram-se 10 anos da sua morte. Não apareceu um novo ‘Montanha’. Neste sábado Claudio Viana, o ‘Bussunda’, completaria 54 anos. Fazia humor sem esforço, escrachado, contestador. Com o ‘Tabajara FC’, ‘pior time do mundo’, celebrizou ‘Marrentinho’, o anti-craque. Os ‘Cassetas’ não foram os mesmos sem ele. Nossas terças-feiras ficaram mais tristes sem ‘Bussunda’. Sua partida empobreceu o humor televisivo. Ontem, se vivo, também estaria completando 54 anos, meu irmão caçula, João Alberto. Foi um ser humano generoso, de bem com a vida.

Sucessão
Momento político santo-angelense de calmaria se visto superficialmente. Nas entranhasvive momento de tratativas, articulações objetivando as convenções.
Prefeito Valdir Andres, me informou, não concorrerá à reeleição.  Candidato do PP deverá ser o vereador Paulo Azeredo.
No PDT, escolha estará entre Bruno Hesse, ex-Provedor do HSA ou o vereador Jacques Barbosa.
No PMDB, é candidata natural a vice Nara Damião, mas não podem ser desprezados seu filho, vereador Vinicius Makvitz e o vereador Vando Ribeiro. O PT talvez encabece uma frente de esquerda.  Nomes na mesa, à priori, seriam dos vereadores Diomar Formenton e Gilberto Corazza.

Visita
Nesta semana o deputado santo-angelense, Eduardo Debacco Loureiro, recebeu a visita em seu gabinete do presidente do Tribunal de Justiça do Estado, Luiz Felipe Silveira Difinie do Diretor Geral doTribunal, Ivandre Medeiros. As autoridades discutiram o Projeto de Lei das Diretrizes Orçamentárias de 2017, em tramitação na Assembleia Legislativa gaúcha.

Dívida
Governo gaúcho conseguiu carência de seis meses para pagar serviço da dívida, podendo representar economia de R$ 1,650 bilhão. A partir de janeiro, começa a regredir, reduzindo mensalmente 5,5%. Mas, os problemas foram apenas aliviados. Não há garantias do fim dos parcelamentos salariais.

Centro Administrativo

Colunas atrás comentei sobre o Centro Administrativo projetado pelo Prefeito Valdir Andres. Necessário, pelo estado do velho prédio da Prefeitura, questionava que chegando ao fim do mandato, nada de novo havia. Pelo Whatsapp, Prefeito me informa que deverá encaminhar solução brevemente. Não apenas pela economia e praticidade que dará as futuras administrações e aos usuários, mas pela situação, é obra bem-vinda.

Manifestações
Movimento envolvendo professores e alunos possui ângulos, positivos e negativos. Para alguns não passou de orquestraçãode confrontoao governo. Sim, ou não, resultado foi nefasto, podendo atrasar o ano letivo. Manifestantesarmaram barricadas, acorrentaram portões e impediram o direito de ir e vir à escola. Registre-se, parcela desses manifestantes formada por quem passa mais tempo fora do que dentro dela. Reivindicações justas, umas de difícil atendimento. Algumas foram ou serão contempladas pelo Governo. Professores, enquanto escrevo, permanecem em greve, mesmo com as salas desocupadas. Quanto à invasão do Centro Administrativo, onde funcionam diversas secretarias, paralisou importantes serviços prestados ao cidadão, que se tornou refém dos invasores.

Lava-jato

Evidencia-se ofensiva objetivando enfraquecer a Lava-jato, por desenterrar falcatruas de diversos políticos, que se locupletaram dos recursos de estatais, como a Petrobras, suas subsidiarias e a Eletrobrás. Com uma lista de envolvidos que vai de A a Z, tentativas de brecá-la, são muitas. Depois de a operação desmascarar a cúpula petista e cercar lideres peemedebistas, não pode findar antes de cumprir seu papel depurador. Inspirada na Operação Mãos limpas, preocupação dos procuradores é que, ao chegar ao terceiro ano de trabalho, comece a enfrentar problemas iguais a italiana. Dai a necessidade do apoio das ruas. Pesquisa dá a Lava-jato aprovação de 70,04%.

Correção
Advogado e colunista, Oscar Pinto Jung (meu atento leitor), corrige: não é Wilson, mas Vilmar o nome do ‘Papudo’. Retifico, enviando minhas desculpas aos leitores.
 

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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