Coluna de Pedro Belmonte

Ser Missioneiro
06 de Abril de 2019 às 15:42

Cogito retorno da serie ‘Ser Missioneiro’. Comecei a agendar nomes dos convidados. Serie evoca a paixão pelas missões, o que representa ser missioneiro nato ou adotado e viver nessa terra de tantas histórias.  Como no depoimento, na primeira serie, do falecido Conselheiro do Tribunal de Contas, ex-prefeito e deputado, Adroaldo Mousquer Loureiro: “Para mim, acima de ser uma condição de natureza geográfica, ser missioneiro é uma condição de alma, anímica. É cada um pode ter a sua interpretação pessoal desta condição. Temos uma identidade própria, que nos faz diferentes. É motivo de orgulho termos nascido nesta querência sagrada, palco de acontecimentos marcantes na história da humanidade. Aqui índios e religiosos jesuítas protagonizaram uma das páginas, mas ricas da história da civilização”.

Ser Missioneiro II
“A experiência missioneira das Reduções, democrática, socialista, cooperativa foi reconhecida por grandes pensadores como Voltaire e Montesquieu “triunfo da humanidade”. Somos herdeirosde Sepé. Antônio Sepp, Diogo Hazze, os pioneiros. E depois os imigrantes europeus chegaram para fazer a miscigenação atual da nossa raça. A civilização do Rio Grande começou pelas Missões. Jaime Caetano Braun escreveu: ‘Neste imenso território Que foi o laboratório Do Gaúcho e do Brasil.’ Têm grande valor, aqueles que mantêm viva esta história através da música, da poesia e das artes, como os chamados troncos missioneiros – Cenair Maicá, Noel Guarani, Jaime Caetano Braun e o Pedro Ortaça, que está firme na luta. Quando Deputado aprovei na Assembleia Legislativa um Projeto de Lei instituindo a semana missioneira, que tem se realizado todos os anos, visando manter viva a chama desta rica história que faz orgulharmo-nos de ‘ser missioneiro’”. Aguardem.

‘Tancra’

Tancredo dos Santos Moraes, o ‘Tancra’, político das antigas, dos tempos em que a vereança era exercida sem ônus ao contribuinte, deixava de lado a condição de excelente fotógrafo, garantidor do pão da família, para se transformar no arauto das aspirações comunitárias. Sou testemunha, às vezes custeadas por seu próprio bolso, empreendia viagens a Porto Alegre e Brasília para cuidar dos assuntos de interesse coletivo, vários deles ligados ao ensino superior. Cidadão Honorário, concessão do Legislativo, foi filiado à antiga Arena, depois PDS, se elegeu vereador por várias legislaturas, inclusive sendo presidente da Câmara Municipal. Natural de Rio Pardo morreu em 1999, em Santo Ângelo.

Começo
Comecei há 55 anos, na rádio Santo Ângelo, como um dos apresentadores do ‘Grande Jornal Falado’, às12h25min, oferecimento da COCEFEL. As 18h05min apresentava o comentário ‘Em Poucas Palavras’, sobre o cotidiano da cidade; ‘O Globo em Foco’, às 18h45min, chancelado pela Casa Ramos e, finalmente, ‘A Grande Resenha Informativa’, às 22h, patrocínio da Mecânica Ritter.  Permaneci na ZYF-6, entre 1964-1968.

Revista
Em 1967, como diretor de Propaganda do Clube 28 de Maio, organizei a revista ‘Informe Especial’, comemorativa aos seus 40 anos. Folheio, agora, exemplar recebido anos atrás de Luiz Henrique, filho de José Pedrazza, companheiro das diretorias de 1966-67.  Zé Pedrazza tem história e serviços prestados.  Foi orador da primeira diretoria da Juventude, eleita em 1953. Participou de várias diretorias e cargos no Conselho, sendo Sócio Benemérito. Na revista, impressa na extinta Tipografia Alvorada, de Santo Ângelo, faço retrospectiva, desde a fundação, origens, nome dos fundadores, primeira diretoria e os primeiros dirigentes.  Motivados a criar um clube que se dedicasse à prática do Bolão, em maio de 1926, grupo se reuniu na residência de Ernesto Mückler, decidindo a criação do núcleo bolonista, cuja sede seria na chácara de Hugo Geiss. Surgia naquele mês de maio, há 93 anos, o 28.


1964
Tititi provocado pela ordem do presidente Jair Bolsonaro para, segundo ele, ‘rememorar’ a passagem do aniversário de 31 de março de1964, proibida depois liberada pela Desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do TRF, me remete ao período. João Goulart havia recuperado seus poderes com um plebiscito. Esquerda e direita recrudesciam sua luta. Nas Forças Armadas, desde1961, havia divisão. Oficiais eram contra Jango. Suboficiais, sargentos, cabos e praças, a favor. Em setembro de 1963 houve a rebelião dos sargentos. Dia 13 de março de1964, João Goulart fez discurso radical reafirmando seu projeto de lutar pelas reformas agrária, tributária, eleitoral e econômico-social.  A inabilidade, confundida com tendência comunista do presidente, acabou na marcha em defesa de ‘Deus, Pátria e Família’, contra suas reformas de base. Em 25 de março, marinheiros comandados por Cabo Anselmo, se rebelam. Em gesto populesco, Jango os anistia, contrariando a alta hierarquia militar. Ultima aparição do presidente foi no dia 30 de março numa festa dos sargentos, no Automóvel Clube do Rio. Dia 31, tropas comandadas pelo General Mourão Filho partem de Juiz de Fora, Minas, em direção ao Rio. Jango Goulart não resistiu. Retornou a solo gaúcho para avaliar a situação. No dia 2 de abril de1964, partiu para seu exilio no Uruguai onde morreria em 1976. Regime vigorou de 1964 a 1985. Domingo, 31, atos públicos relembraram os ‘chamados anos de chumbo’, com protestos contra Bolsonaro, a Reforma da Previdência e a prisão de Lula. Manifestações favoráveis também ocorreram em várias capitais. Penso que a data deve servir a uma reflexão coletiva objetivando evitar sua recorrência.

Vídeo
Conforme o site ‘Congresso em Foco’, da UOL, vídeo que a Secretaria de Comunicação da presidência divulgou, via Whatsapp, é de autoria do empresário paulista, corintiano e bolsonarista, Osmar Stabile.  O vídeo foi pago e divulgado por ele. Stabile se diz entusiasta do ‘contragolpe preventivo, por ser assim que historiadores sem ideologias pré-concebidas enxergam 1964’. Advogado do empresário nega que ele tenha enviado a representantes do Governo e não conhece Bolsonaro pessoalmente. Planalto se negava a informar quem havia feito a gravação. Vice-presidente Mourão chegou a atribuir a divulgação a Bolsonaro, depois recuou.

 Jornalista, com passagem por diversos jornais e rádios do Rio Grande do Sul, atualmente coordena o projeto Santo-Angelenses. Escreve nas edições de sábado. 

Email: pedro.a.s.belmonte@hotmail.com

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