Coluna de Renato Schorr

O jogador Mauro Vieira Freitas
15 de Agosto de 2012 às 18:30

Quando alguém se atrever a medir a força e o poderia do futebol, vislumbrará um horizonte longo, quase infindo. É inegável o contágio e a atração da bola. Uma gravidade indescritível. A bola move o mundo das gentes, desde os mais pequeninos, jovens, aos veteranos. Hoje, considerando o valor das transações dos jogadores de futebol, vê-se uma indústria altamente rentável. No passado, diferentemente do presente, a situação era totalmente diversa, levando em conta que a maioria dos jogadores percebia pequenos salários, em contrapartida, apresentavam bom futebol.

Nesse cenário se apresenta o nome de Mauro Vieira Freitas, zagueiro, natural do município de Pelotas/RS, onde nasceu aos 17 dias do mês de novembro de 1941, iniciou suas atividades nas categorias de base do Esporte Clube Pelotas. Aos 18 anos Mauro subiu para o time titular, entretanto, jogou apenas uma partida, quando se transferiu para o São Paulo da cidade de Rio Grande, titular absoluto, isso no ano de 1961. Em 1962 foi contratado pelo Esporte Clube Juventude de Caxias do Sul, onde foi titular por sete anos, tendo conquistado o vice-campeonato gaúcho em 1965, cuja equipe foi considerada o melhor elenco do Juventude de todos os tempos. No ano de 1968 foi emprestado ao Esportivo de Bento Gonçalves.
Mauro atuou pelo Internacional de Lages/SC, no ano 1969. Já em 1970 foi indicado ao Olímpia do Paraguai, todavia, não se acertou com o clube do vizinho país, retornando ao Brasil, onde integrou a primeira equipe da cidade de Cascavel/PR, a disputar a primeira divisão daquele Estado, sagrando-se Campeão Estadual Paranaense, em 1970. Essa é a única conquista daquela agremiação até a presente data. No ano seguinte, integrou a equipe do Rio Branco de Paranaguá/RS, de onde, em maio, se transferiu para o Tamoio, de Santo Ângelo. Em 1972, passou a atuar na equipe carijó de Santo Ângelo, o Elite Clube Desportivo, com dupla função: jogador/treinador, quando o clube era presidido pelo saudoso Dr. João Augusto Rodrigues. Seguindo no clube até 1974, nas mesmas funções. Nos dois anos seguintes, treinou a equipe do Botafogo de Três de Maio, posteriormente treinou a AESA e o Esporte Clube Santo Ângelo. O jogador Mauro, de porte vigoroso, ao seu tempo, onde a força física se impunha, e embora no fosse santinho, procurava se servir da técnica! Possuía fácil impulsão, era excelente no cabeceio.

Mauro lembra que em todas as equipes que passou, deixou as portas abertas, o que é um ótimo sinal. Para ele, o futebol representou uma espécie de janela pra vida! Freitas entende que o futebol de Santo Ângelo evoluirá a partir da formação de uma equipe com atletas local/regional, uma espécie de identificação do jogador com a cidade/região. Um fato pitoresco revelado por Mauro está relacionado com o jogador/treinador Croaré do Elite, esse, no ano de 1972, lhe solicitou que juntamente com o Volnei assumisse a direção técnica do clube, por uma semana, diante de uma viagem que empreenderia à Capital, essa semana durou mais de trinta anos, quando reviu Croaré, isso, por telefone.

Findada a carreira de atleta, dedicou-se à arbitragem, por diversas temporadas nos campeonatos realizados em Santo Ângelo, de todos eles, ficamos com um profundo lamento, quando em 1985, no campeonato citadino, no supercampeonato onde o Montreal, se sagrou campeão e tivemos o privilégio de ser coadjuvante na conquista do título. Ocorre que numa partida entre Missões e Montreal recebíamos um lançamento, aplicando um chapéu no zagueiro, e na caída da bola, acertar um chute enviesado, com a bola “morrendo na forquilha”, aí o Mauro, o aceno do bandeirinha, anulou o gol. Mas isso faz parte do futebol. Nosso lamento está no fato daquele gol ter sido um dos cinco mais lindos que marcamos. Mas a arbitragem é um conjunto e nem sempre ela acerta, logo, nada a reparar, exceto, um gol a menos!

Advogado e tradicionalista. Escreve nas edições de quinta-feira.

Email: renatinhoadv@yahoo.com.br

Mais artigos de Renato Schorr