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Diretor do Iphae: “Cerca de 90% dos prédios da área do Centro Histórico não devem entrar na lista do tombamento”

Eduardo Hanh participou de encontro sobre patrimônio histórico em Santo Ângelo

10 de Agosto de 2012 às 18:00
Diretor do Iphae: “Cerca de 90% dos prédios da área do Centro Histórico não devem entrar na lista do tombamento”
Diretor do Iphae, Eduardo Hanh, esclareceu a situação. Fotos: Odair Kotowski/JM

Na manhã da última quinta-feira, o diretor técnico do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado – Iphae, Eduardo Hanh, esteve em Santo Ângelo, durante o encontro “Proteção do Patrimônio Histórico de Santo Ângelo”, no auditório do Centro de Cultura, para prestar esclarecimentos sobre o tombamento de prédios considerados históricos na cidade. O evento foi organizado pela Defender – Defesa Civil do Patrimônio Histórico.

De acordo com o diretor do Iphae, o congelamento do Centro Histórico não ocorreria. “Ele passa a ter um gerenciamento diferenciado. Os imóveis serão classificados e inventariados. Cerca de 90% dos prédios da área não devem entrar na lista do tombamento. Então eles poderão ser modificados, modernizados e alguns até demolidos”, salienta.

Outro assunto abordado por Eduardo Hanh, e um dos pontos polêmicos em torno do tombamento, é sobre o ressarcimento econômico dos proprietários. “É necessário criar alternativas de ressarcimento econômico, uma dessas alternativas seriam criar índices. Mas isso terá que ser construído em conjunto, seria um próximo passo. A partir do tombamento, pode-se desenvolver projetos em busca de Leis de Incentivo a Cultura, para obras de recuperação arquitetônica. Isso vai da organização dos proprietários”, complementa.

O diretor do Iphae também abordou sobre um possível convênio, para os próximos meses, entre o Iphae e a Prefeitura, de forma que o município autorize ou não a reforma e/ou demolição do imóvel, em vez de os pedidos irem a Porto Alegre.

 

Proprietários fizeram protesto no Centro de Cultura durante encontro

Cerca de 40 proprietários de imóveis localizados dentro do perímetro do sítio arqueológico da Redução Jesuítica Santo Ângelo Custódio, o Centro Histórico da cidade, que compreende a área da Rua Sete de Setembro à Avenida Rio Grande do Sul e da 15 de Novembro à Marechal Floriano e foi tombada provisoriamente pelo Iphae, protestaram durante o evento da última quinta-feira.
O advogado Nelmo Costa, porta-voz do grupo, manifestou-se explicando que os proprietários acabariam perdendo cerca de 50% do valor dos seus imóveis com o tombamento. “Somando os mais de 500 imóveis apenas na área do Centro Histórico, seriam dezenas de milhões de prejuízo para os proprietários”, reclama ele, ao destacar que um abaixo-assinado buscando reverter a decisão do Iphae circula na cidade.

Outro argumento apresentado pelo proprietário é que com o tombamento, muitos investimentos deixariam de existir no município, pela impossibilidade de demolir e construir um novo empreendimento no local. “No meu caso, no imóvel que tenho, se tiver que deixar como está, só posso fazer um ‘boteco’. Se pudesse mudar, faria um prédio com características arquitetônicas avançadas e aspectos semelhantes aos da Catedral Angelopolitana. Somos favoráveis a tudo que for bom para a cidade, mas isso não é bom”, reclama ele.

Já Dirceu Santos, também proprietário de imóvel na área do tombamento provisório, reclama da falta de discussão do Iphae com os proprietários antes de pedir o tombamento provisório da área. “O provisório vai ficar definitivo se ninguém agir. Essa decisão foi tomada sem prévia discussão com a comunidade”, disse.

Além da manifestação no Centro de Cultura, os proprietários colocaram, na porta de suas casas, tarjas pretas para protestar contra o tombamento provisório. Eles também levaram uma Cruz Missioneira no encontro de quinta-feira envolta em um manto negro.

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Proprietários fizeram manifestação durante encontro

Por Fernando Goettems (fernando@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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