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“Não é um número assustador”, diz secretária de Educação sobre índice de reprovação do ensino fundamental no ano de 2013

No ano passado, na rede municipal de ensino, 367 alunos foram reprovados, 11,19% do total

04 de Março de 2014 às 08:00
“Não é um número assustador”, diz secretária de Educação sobre índice de reprovação do ensino fundamental no ano de 2013
Alunos da rede municipal de ensino voltaram às aulas no dia 25 de fevereiro (Foto: Taís Machado/JM)

Em 2013, de 3.278 alunos do ensino fundamental da rede municipal de ensino, 367 foram reprovados, segundo a Secretaria Municipal da Educação (Smed), o que representa um índice de 11,19%. No ano passado, em Santo Ângelo, conforme recomendação do Ministério da Educação feita com base em proposta do Conselho Nacional de Educação para a estruturação dos nove anos do ensino fundamental – a resolução nº 7, de 14 de dezembro de 2010 –, estudantes do 1º ano não eram reprovados e, a partir de 2014, os do 2º também não serão. O artigo 30 da resolução propõe, entre outras situações, que “os três anos iniciais do ensino fundamental devem assegurar a continuidade da aprendizagem, tendo em conta a complexidade do processo de alfabetização e os prejuízos que a repetência pode causar no ensino fundamental como um todo”.

Na rede municipal de Santo Ângelo, que iniciou as aulas no dia 25 de fevereiro, são 16 escolas de ensino fundamental na área urbana e quatro no interior. A secretária de Educação, Rosa Maria de Souza, afirma não considerar alto nem preocupante este número de 367 reprovados. “Queremos reduzir esse número, sempre trabalhamos para isso, mas não é alto. Não é um número assustador. Porém, é preciso fazer análises a partir dele e verificar em cada escola quais são os fatores que contribuem para isso. Damos linhas gerais às escolas, porém cada uma, com sua diretoria e equipe pedagógica, define as estratégias que vai seguir de acordo com a sua realidade”, diz a secretária.

Rosa destaca que o objetivo de buscar reduzir o número de reprovados passa diretamente pela confiança na atuação do professor, e que a Smed trabalha na formação permanente dos docentes com foco na qualidade da aprendizagem. Os professores têm reuniões – separadas por áreas específicas – uma vez por mês na Smed, com coordenadores pedagógicos da secretaria. Também, estudantes com dificuldade intelectual têm à sua disposição um atendimento educacional especializado, em salas com recursos multifuncionais – na rede municipal, mais de cem alunos recebem esse atendimento. “As reuniões pedagógicas trazem reflexos diretos para a sala de aula. O que é mais decisivo é o papel do professor na aprendizagem do aluno. Além disso, nossos professores têm plano de carreira e 1/3 da carga horária de 20 horas para planejamento das aulas. Ou seja, eles têm tempo para planejar”, analisa.

FOCO NAS SÉRIES INICIAIS
Para a diretora pedagógica da Smed, Sônia Obermeier, o maior ganho que os professores obtêm nas reuniões, e que posteriormente é aproveitado em sala de aula, é a troca de experiências com seus colegas. “Na escola, em sala de aula, eles têm um trabalho solitário. Nas reuniões, são favorecidos com a troca de experiências, porque o fato de haver várias pessoas debatendo de maneiras diferentes um mesmo conteúdo contribui muito”, avalia. Ela diz, quanto ao índice de reprovação, que o foco a ser seguido neste ano devem ser as séries iniciais, para que uma base forte seja constituída. “Muitos estudantes chegam ao quinto ou sexto ano não dominando a leitura e a escrita. Precisamos intensificar os trabalhos nos anos iniciais”, explica.

Em sua avaliação, também é necessário que professores busquem rever métodos e se adequar àquilo que, para ela, consiste numa nova relação professor/aluno. “Não adianta resistir às mudanças de métodos de trabalho. É preciso fugir dos métodos tradicionais. Não existe mais aquele sistema em que o professor explica e o aluno assimila sem fazer questionamentos. Hoje o aluno interage, e o professor tem de interagir também. Muitos alunos já vêm com uma grande bagagem. Não é trabalhando da mesma maneira que se atinge o sucesso”, finaliza a diretora.

Fotos vinculadas

Sônia Obermeier e Rosa Maria de Souza: trabalho no aperfeiçoamento do professor (Foto: Murian Cesca/JM)

Por Murian Cesca (murian@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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