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Lói Roque Biacchi: ‘Em quatro anos, conseguimos vencer sérios problemas na saúde da região’

Ex-coordenador de Saúde fala sobre desafios enfrentados e vencidos

19 de Fevereiro de 2015 às 08:04
Lói Roque Biacchi: ‘Em quatro anos, conseguimos vencer sérios problemas na saúde da região’
Lói Roque Biacchi teve uma trajetória de conquistas nos quatro anos em que coordenou a 12ª Regional de Saúde (Foto: Arquivo/JM)

À frente da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde por quatro anos, o médico Lói Roque Biacchi deixa o cargo para que o novo coordenador, Antônio Sartori, assuma o posto. Durante o período em que atuou como coordenador, o médico conseguiu inúmeras conquistas para a Saúde da região. Em entrevista, ele avaliou o tempo que passou como coordenador, os ganhos do município e região e as dificuldades que ainda precisam ser sanadas. Ele comentou ainda sobre a atual polêmica em torno do nome do novo coordenador de Saúde e falou sobre o seu futuro dentro da política.

Jornal das Missões – Como o senhor avalia seu período à frente da 12ª Coordenadoria Regional de Saúde?
Lói Roque Biacchi –
Foi um tempo excelente do nosso trabalho dentro da Coordenadoria, em que conseguimos vencer sérios problemas na saúde da região. Conseguimos melhorar muito o atendimento. O Hospital Santo Ângelo é testemunha de que houve melhorias significativas no atendimento de alta complexidade, de cirurgias que não eram feitas antes e de que muitos serviços foram feitos. No ponto de vista da medicina preventiva, a atenção básica da saúde melhorou muito. Não podemos dizer que o Mais Médicos não é importante, pois temos médicos que atendem à nossa região e que qualificaram o atendimento. Claro que a saúde é uma coisa que nunca se tem completa, mas muito se fez. Do ponto de vista preventivo, nós vivenciamos situações difíceis no caso da H1N1, quando morreram pacientes aqui, mas em função disso foi que conseguimos mais de 100 mil vacinas a mais para nossa região naquela ocasião e vencemos o problema da toxinfecção, em que 255 pessoas foram atendidas e nós demos um bom atendimento, tomando a atitude que era necessária. Fora isso, houve ainda o problema de dengue na nossa região. Ou seja, vivenciamos sérios problemas na região e sempre enfrentamos com tranquilidade e conseguimos levar adiante com um trabalho árduo e difícil, além de um bom relacionamento com a sociedade.

JM – Com relação à saúde local, sabemos que há problemas, mas ainda há muita reclamação. O que o senhor acha possível fazer para melhorar essa questão?
Biacchi –
Essa é uma questão que deve ser avaliada. Nesses últimos dois anos, o atendimento básico teve algumas falhas, como falta de profissionais e organização. Embora tenham vindo 16 médicos cubanos para dar suporte à nossa região, há um desequilíbrio no atendimento entre atenção básica e urgências do Hospital Santo Ângelo. Não sei se o Hospital Santo Ângelo melhorou muito o atendimento e sua prestação de serviços e por isso as pessoas têm procurado o que é melhor. E a atenção básica falhou nesses setores, com dificuldade das pessoas fazerem os exames, em ser um atendimento mais rápido e efetivo. Um problema que poderia ter sido resolvido se a UPA tivesse funcionado, já que era esse o objetivo de ter um serviço mais rápido e equilibrado. Mas isso merece uma avaliação mais profunda e um entendimento melhor entre os serviços que estão organizando os serviços médicos de Santo Ângelo e região.

JM – Com os serviços da UPA, o senhor acredita que o HSA poderia ter um atendimento mais ágil?
Biacchi –
Penso que teria o atendimento de uma região maior, mas tem que ser rápido e objetivo. Tem que ser preciso. As pessoas não podem mais ficar esperando o atendimento. As coisas têm que funcionar como está sendo feito no HSA. Por que as pessoas procuram? Porque as pessoas chegam lá e fazem o registro na hora, fazem o exame laboratorial na hora. Então, houve uma melhora significativa no Hospital Santo Ângelo. Houve essa abertura de urgência e emergência, que está sempre com as portas abertas. As pessoas podem ir a qualquer hora do dia ou da noite e são atendidas. Eu, pessoalmente, acho uma coisa muito importante para toda a região. Hoje o atendimento do HSA é referência, pois presta um serviço extraordinário 24h, e isso é um grande ponto positivo. Por outro lado, há possibilidade, sim, de melhorar os serviços laboratoriais do hospital, do município e da região. É preciso buscar ser mais rápido nesse sentido.

JM – O senhor foi surpreendido com a notícia de que a enfermeira Maristane Almeida não seria mais a coordenadora de Saúde, como havia sido anunciado anteriormente?
Biacchi –
Eu não me surpreendo muito porque sei como funcionam as coisas, pois já passei por isso várias vezes. Mas achei muito prudente a posição da Maristane, que afirmou que só se pronunciaria quando seu nome saísse no Diário Oficial do Estado. Quanto à escolha pelo Sartori, isso são decisões políticas, em que entra uma força de alguns políticos que é maior do que outras. Então, não me surpreende muito, porque isso faz parte do jogo político.

JM – E sobre o novo coordenador, Antônio Sartori, o senhor o conhece? Como pensa que será sua gestão à frente da Coordenadoria?
Biacchi –
Conheço-o pessoalmente; ele participou durante esse período em que fui coordenador, como secretário municipal de Saúde de Roque Gonzales. Sempre participou das reuniões e é uma pessoa pela qual tenho grande respeito e consideração. É uma pessoa preparada e que também tem o conhecimento da saúde. Penso que os dois indicados tinham muita qualificação e poderiam fazer um bom trabalho.

JM – E na área da política? No próximo ano tem eleições; o senhor será uma das figuras políticas a comporem o quadro de candidatos?
Biacchi –
Olha, eu sou um cidadão do PDT, faço parte da Executiva. Claro que nós estamos extremamente empenhados nessa política partidária de Santo Ângelo, nós precisamos de lideranças responsáveis e temos responsabilidade com isso. Ainda mais com nosso deputado em Porto Alegre, Eduardo Loureiro, que representa toda a região, deixando para nós uma responsabilidade maior ainda em nosso município, fazendo com que o nosso partido esteja presente e à altura para enfrentar os problemas que a cidade tem. Acho que o PDT se saiu muito bem nas vezes em que foi governo. Então, está na hora de o PDT pensar muito bem e se preparar bem para enfrentar as novas eleições que vêm aí. Eu vejo com bastante otimismo o futuro dessa região missioneira de Santo Ângelo, agora que temos um representante na Assembleia Legislativa.

JM – Mas o senhor poderá ser candidato a prefeito no ano que vem?
Biacchi –
Olha, por enquanto, sou candidato de mim mesmo. Mas nós lutaremos para fazer o melhor por nossa cidade e o nosso partido, sem dúvida, terá os melhores candidatos para retomarmos o governo de Santo Ângelo. Ainda falta um tempo para a eleição, temos muitos momentos em que vai se avaliar a situação, e buscaremos criar as melhores condições para o nosso partido. 

Por Talita Mazzola (talitamazzola@gmail.com)

Fonte: Jornal das Missões

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