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CRB de Santo Ângelo atua com apenas quatro bombeiros socorristas

Efetivo é limitado devido ao contingenciamento de gastos do governo do Estado

23 de Janeiro de 2016 às 08:00
CRB de Santo Ângelo atua com  apenas quatro bombeiros socorristas
Capitão Anderson Foliatti lamenta a situação do Estado (Foto: Andrei Fucilini/JM)

Nesta semana o Jornal das Missões recebeu ligações de uma moradora do Centro de Santo Ângelo, relatando problemas com um enxame de abelhas que se instalou em seu prédio. De acordo com a mulher, que prefere não se identificar, houve contato com o Comando Regional de Bombeiros (CRB) de Santo Ângelo e o problema não foi solucionado. “O enxame está perto de uma janela e estamos com medo. Liguei várias vezes para os bombeiros e a síndica do prédio também e informaram que se não haviam pessoas picadas teríamos que chamar um apicultor. Também falaram, em uma das ligações, que não existiam bombeiros disponíveis no momento”, conta a mulher.
Em contato com o Capitão Anderson Foliatti, do CRB de Santo Ângelo, a situação foi esclarecida. “O atendimento de bombeiro é atendimento emergencial. São vidas correndo risco. Realizamos outras atividades também, que não envolvam o aspecto vida, mas isso envolve lesão corporal e integridade física como um todo. No caso das abelhas, a orientação é que, se tiver risco para as pessoas, se estão sendo picando pessoas e crianças, nesse casso sim realizamos a remoção. Não tendo pessoas picadas ou feridas, as pessoas precisam determinar o que será feito ou chamar um apicultor. Nós temos hoje apenas quatro bombeiros que realizam o serviço de socorro, e eles atendem várias ocorrências”, afirmou, deixando claro que “a regra é simples: se está causando riscos às pessoas, nós vamos”.

Falta de efetivo preocupa Corpo de Bombeiros
Para o Comando Regional de Bombeiros (CRB) de Santo Ângelo, que abrange 36 cidades da região, o número ideal de bombeiros socorristas seria nove. Para se ter um efetivo razoável seriam necessários cinco servidores socorristas, no entanto, o quartel opera com apenas quatro, destacando que o número mínimo para operação é de três. Santo Ângelo opera com menos da metade do número ideal de bombeiros socorristas. “O efetivo é pouco, ele varia muito. No operacional são 12, ou seja, os que estão disponíveis para serem colocados na escala. Porém, entram por dia na escala de socorro, de três a quatro. Três desses são fixos e um é de hora extra. Temos também o pessoal do administrativo e na Análise Técnica de Planos de Prevenção Contra Incêndio. O que nos deixaria numa margem aceitável seriam cinco bombeiros no socorro, então nós já operamos a baixo, com três às vezes. Com menos de três não teria como atender, se considera inviável”, denuncia o Capitão Foliatti.

RIO GRANDE  NO LIMITE
Nem a população e nem o Corpo de Bombeiros têm culpa da situação. O grande problema é que a gestão do governo do Estado limita cada vez mais os servidores da segurança pública, deixando o Rio Grande do Sul em alerta. “O governador reafirmou o decreto de contenção de gastos. Ele não vai chamar mais pessoal em seis meses, nem bombeiro nem policial nem Susepe, nada que envolva segurança”, lamenta o Capitão.
Para atuar em Santo Ângelo, o número ideal seria uma guarnição de nove bombeiros para o socorro, tendo em vista o caminhão de incêndio, que abrange grande complexidade quando atua em casos de incêndio grave.
“Queremos nos justificar também e explicar nossa situação. Às vezes a comunidade fica meio nervosa, mas a gente está operando no limite. Estamos realmente bem estrangulados”, finaliza Foliatti.
De acordo com Ubirajara Pereira Ramos, bombeiro coordenador da Associação de Bombeiros do Rio Grande do Sul (Abergs) a situação é semelhante em todo o Estado. “Há um enorme deficit de efetivo. Temos 571 aprovados em concursos, ainda não chamados. Nosso efetivo é de 2.300 homens, que estão envelhecendo, todos anos há saídas das corporações. Tudo isso é um risco para o militar e um risco para a população”, alerta. 

Fonte: Jornal das Missões

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