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‘Podas em V não prejudicam a arborização urbana’

Confira entrevista com a especialista em topografia e paisagismo, Giselda Aparecida Ghisleni

30 de Junho de 2016 às 09:30
‘Podas em V não prejudicam a arborização urbana’
Exemplo de instalação de poda em V (Estevan Minini)

A coordenadora do curso de agronomia da URI, Giselda Aparecida Ghisleni, é especialista nas áreas de topografia e paisagismo. Em entrevista ao Jornal das Missões, ela explica a
importância do manejo vegetal e a necessidade das podas em V na arborização urbana
municipal, destacando qual sua condução correta, de forma a não prejudicar o vegetal

Jornal das Missões: A que se objetiva a arborização urbana e quem é responsável pela sua condução?
Giselda Aparecida Ghisleni:
Seus principais objetivos são a redução da temperatura, a redução da poluição do ar e da poluição sonora, além do embelezamento da cidade, de faunas e o conforto técnico para todos nós. Geralmente, a arborização urbana é conduzida pelo município, possui leis estaduais e federais que regem o Executivo a ser responsável por sua manutenção e pelo paisagismo do município. Existem normas e padrões para a poda e conduções na arborização urbana, então é preciso atender a leis, a cuidados como equipamentos de segurança, ferramentas adequadas, treinamento de equipe para efetuar as podas, entre outros.
Aqui em Santo Ângelo, a responsabilidade pela arborização urbana cabe ao município, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Secretaria de Agricutura, que têm o pleno poder de conduzir a arborização a órgãos como a RGE, que é o responsável pela energia elétrica no município.

JM: As podas em V são comumente utilizadas para desobstrução de fios de energia elétrica. A utilização dessas podas é correta ou pode prejudicar as árvores podadas?
Giselda:
As podas em V não prejudicam a arborização urbana, e a RGE tem total liberdade para fazer esse trabalho. Eles usam equipamentos adequados, profissionais treinados, que recebem capacitação e efetuam um trabalho bem executado. O que acontece é que a comunidade às vezes não tem um conhecimento sobre o que está acontecendo com esses vegetais superiores.
A poda comumente efetuada é em passeios públicos para a desobstrução da energia elétrica, mas acontece também em terrenos particulares. O problema é que há muitos anos não foi feito um bom planejamento no plantio das árvores. Pelas normativas, onde passa os canteiros centrais e a energia elétrica, deve ser efetuado o plantio nas laterais. Acontece que algumas plantas e arbustos foram plantados há muito tempo e agora o vegetal precisa ser conduzido da melhor maneira.

JM: Por que a poda em V é considerada a indicada?
Giselda:
Porque na poda em V você trabalha como se o vegetal fosse uma balança. É como se você colosse uma balança na parte inferior do vegetal e fizesse com que este ficasse com os dois lados equilibrados. Não tem como fazer outro tipo de poda, pois se tirar a lateral do vegetal, estará comprometendo-a, e, com ventos muito fortes, acabará causando tombamento e estragos muito maiores. Então, essa poda é utilizada para desobstruir a transmissão da energia elétrica, fazendo com que o vegetal continue tendo seu ciclo de vida produtivo, sem afetar as suas condições de crescimento. Muitas vezes também ocorre a necessidade de ser feita uma supressão em um desses vegetais, ou seja, uma retirada desses vegetais se ele estiver comprometendo alguma calçada, tubulação, alguma edificação. Isso tudo consta no plano diretor do município.

JM: O município pode solicitar a retirada de uma árvore de propriedade privada, caso ela esteja causando algum problema?
Giselda:
Sim. Se tiver, por exemplo, um pé de alguma árvore próxima a fiação, é necessária uma poda radical. Se for uma poda mal conduzida dentro de uma propriedade e existir o risco de tombamento, o município também pode se dirigir a esse proprietário e pedir que faça a supressão do vegetal. Para isso, ele possui equipes preparadas e autorizadas para fazer um laudo técnico. Em se tratando de árvores nativas, também se requer um cuidado maior, já que são protegidas por lei e não podem ser retiradas, tendo uma legislação específica. Já o proprietário que pensar em fazer a poda de um vegetal, precisa fazer o pedido junto a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, demarcando quais as árvores. Se for somente limpeza, pode ser retirado 30% da árvore apenas, pois o domínio do vegetal é do município e o proprietário precisa de autorização.  

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Giselda Ghisleni também é coordenadora do curso de agronomia da URI

Fonte: Jornal das Missões

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