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Quarta é celebrado o Dia Nacional de Doações de Órgãos e Tecidos

Santo Ângelo tem, há cinco anos, a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos (Cihdott)

26 de Setembro de 2017 às 13:30
Quarta é celebrado o Dia Nacional  de Doações de Órgãos e Tecidos
Em 2017, foram três aceitações de órgãos para doação

Nesta quarta-feira (27) é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, que tem por objetivo conscientizar a população em geral sobre a importância de ser doador de órgãos e ajudar as milhares de pessoas que lutam pela oportunidade de salvarem suas vidas.
O Brasil tem motivos para comemorar: a rede pública de transplantes do país é uma das mais organizadas e eficientes do mundo, e o número de doadores cresceu desde que a legislação sobre o tema entrou em vigor, há cerca de 20 anos. Mas como tudo sempre pode melhorar, o país aindatem o desafio de reduzir filas que impõem a milhares de famílias o sofrimento da espera por um doador. Chegamos à marca de 16 doadores efetivos por milhão de habitantes (há duas décadas, ficava entre seis e sete doadores por milhão de habitantes), mas vislumbramos alcançar países como Espanha, Estados Unidos, Portugal e França, onde essa proporção dobra.
O que mais pesa na decisão de doar órgãos, segundo médicos e especialistas, que atuam na rede de transplantes, é a falta de informações.

COMO SER DOADOR
De acordo com a legislação brasileira (lei nº 10.211, de 23 de março de 2001), a retirada dos órgãos e tecidos para doação só pode ser feita após autorização dos membros da família. Para a doação, o doador deve ter sofrido de morte encefálica, pois somente assim os seus principais órgãos vitais permanecerão aptos para serem transplantados para outra pessoa.
Pessoas vivas também podem ser doadoras de órgãos, mas apenas aqueles que são considerados “duplos”, ou seja, que não prejudicarão as aptidões vitais do doador após o transplante.

QUANDO A DOAÇÃO É POSSÍVEL
Não é qualquer tipo de morte que viabiliza a doação. Para que os órgãos possam ser transplantados, é preciso que sejam retirados enquanto o coração ainda bate artificialmente – o que só é possível em casos de morte encefálica, quando todas as funções do cérebro param de maneira completa e irreversível. Essa é a definição legal de morte. Quando cessam todas as funções neurológicas, o organismo é mantido “funcionando” com a ajuda de aparelhos. Como ainda há pulsação e o corpo está quente, há dificuldade de os familiares entenderem que aquela pessoa efetivamente está morta, que se trata de uma situação irreversível. E a negativa familiar diante de situações como essa é a principal causa que impede a doação de órgãos. Por isso que, apesar do grande número geral de mortes, a quantidade de possíveis doadores é baixa.

QUEM PODE E QUEM NÃO PODE DOAR
Há critérios de seleção destinados a impedir que órgãos pouco saudáveis sejam utilizados em transplantes. A idade não costuma ser um deles: crianças e idosos podem ser doadores, assim como qualquer pessoa que tenha tipo morte encefálica confirmada. Mas a causa da morte e o tipo sanguíneo do doador, entre outros fatores, ajudam a definir quais partes de um corpo poderão ajudar outras pessoas. No Brasil, só há restrição absoluta à doação de órgãos por parte de pessoas com aids, com doenças infecciosas ativas e com câncer. No entanto, indivíduos com alguma doença transmissível pode doar para pacientes que tenham o mesmo vírus, como no caso das hepatites.

DOAÇÃO DE ÓRGÃOS EM SANTO ÂNGELO
Há cinco anos a Comissão Intra-Hospitalar de Doação de órgãos e Tecidos (Cihdott) atua junto ao Hospital Santo Ângelo. Neste ano, de acordo com a enfermeira Denise Guerin, coordenadora da Cihdott, foram cinco mortes encefálicas e três aceitações de órgãos para doações. De alguns anos para cá houve uma maior conscientização da comunidade sobre a importância das doações de órgãos no município. “No início tínhamos uma maior dificuldade, até por ser uma cidade de interior. Hoje temos o nosso turno diário normal dentro do HSA, com uma equipe que realiza palestras de conscientização em escolas e instituições, e a aceitação vem sendo cada vez maior. Quando ocorre uma morte encefálica dentro do Hospital Santo Ângelo, nós procuramos acolher a família, passar todas as informações possíveis, e deixar mais fácil o processo para quando a morte encefálica é confirmada”, destacou a enfermeira.

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