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18 presos acusados de matar três detentos no Presídio participam da primeira audiência

Eles foram mortos queimados no dia 15 de dezembro de 2009, na cela 7, da galeria A

22 de Junho de 2012 às 17:18
18 presos acusados de matar três detentos no Presídio participam da primeira audiência
Pelotão de Operações Especiais e Agentes da Susepe fizeram a custódia dos presos acusados. Fotos: Odair Kotowski/JM

 A segurança foi reforçada por policiais militares e agentes da Susepe na tarde de quinta-feira (21), no Fórum de Santo Ângelo, em razão da primeira audiência envolvendo 18 presos que são réus no processo que trata da morte de três apenados da galeria A, do Presídio Regional de Santo Ângelo, ocorrida no dia 15 de dezembro de 2009.

Na oportunidade morreram queimados por internos os presos Antônio Carlos Soares do Nascimento, o Cri-Cri, 42 anos, Maurício Maia Ferreira, o Patinho, 21 anos, e Vinícius Delarci da Silva Vieira, o Vini. O detento Ricardo Corrêa Antunes, o Japinha, que também sofreu o ataque, sobreviveu e é testemunha no caso. Os acusados teriam usado colchões para atear fogo na cela.

Além dos 18 acusados, foram ouvidos durante a audiência outros 15 presos e agentes penitenciários. Os presos que participaram do interrogatório estão cumprindo pena nos presídios de Santo Ângelo, Ijuí e Santa Rosa. Alguns já estão no regime semi-aberto e apenas passam à noite no Albergue.

A imprensa não foi autorizada a divulgar detalhes da audiência de instrução. O titular da 1ª Promotoria Criminal de Santo Ângelo, promotor Márcio Rogério de Oliveira Bressan, que atua na acusação dos réus, explica que o que houve foi uma disputa entre duas facções. “As mortes foram provocadas por asfixia e fogo. As vítimas sofreram o ataque um dia após a transferência da Penitenciária Modulada de Ijuí”, afirma.

Bressan destaca que os presos mortos estavam na cela 7 da galeria A. “O que nos chama a atenção é que nesta cela estavam outros detentos que acabaram sendo liberados pelos criminosos. Em tese, estes presos liberados faziam parte deste grupo rival que provocou o ataque. Naquele dia, também houve uma tentativa de ataque a presos que estavam na cela 8, porém, eles conseguiram se defender, trancando a porta”, enfatiza.

O promotor revelou que as mortes ocorreram no horário em que seria servido o café, por volta das 6h30min. “A investigação apurou que todas as 16 celas da galeria A foram abertas. Neste momento, o normal é abrir cela por cela, mas alguém conseguiu pegar a chave do responsável e abrir as demais celas para provocar o crime”.

O processo ocorre em dois momentos e é composto da formação do juízo de admissibilidade que definirá se os denunciados irão a júri popular e o próprio julgamento. “Para chegar ao momento de afirmar se alguém vai ou não a júri temos que ouvir as testemunhas e coletar as provas. Hoje é só o começo (quinta-feira) de um processo que deve durar mais dois anos”, disse Bressan.

A defesa dos réus está sendo realizada pelo defensor público Eugênio Pedro Gomes de Oliveira Júnior. A audiência foi presidida pelo titular da 1ª Vara Criminal, juiz de direito Fábio Welter.

Fotos vinculadas

Sobrevivente, Ricardo Antunes, foi ouvido como testemunha Policiais fizeram a segurança nos arredores do Fórum

Por Odair Kotowski (odair@jornaldasmissoes.com.br)

Fonte: Jornal das Missões

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