Editoriais | Geral
Família espera pelo retorno ao Chile
No dia 6 de fevereiro Maria Garcia, seu esposo, Maurício Oyarzun e o filho do casal, Gabriel Oyarzun Garcia, desembarcaram em Santo Ângelo para passar as férias. Moradores de Santiago, no Chile, a família acabou tendo que estender a visita devido à tragédia que assolou o país.
Maria Garcia é natural de Santo Ângelo, mas vive há nove anos em Santiago, onde trabalha como vendedora. Maurício é Engenheiro Elétrico e chileno. Os dois conversaram com a reportagem do JM e falaram sobre o terremoto que causou muitos estragos e centenas de mortes no Chile, na madrugada do dia 27 de fevereiro.
O SUSTO
Segundo Maria, ao saber do ocorrido, a preocupação foi grande, principalmente pelos amigos e pelos familiares de Maurício, que residem no Chile. “A reação foi horrível. A princípio quando olhamos pela televisão e soubemos que realmente foi um terremoto muito forte, a primeira coisa foi pensar nos amigos, na família, já que todos os familiares do meu esposo são de lá. Eu já moro no Chile há 9 anos, então já tem todo um ciclo de amigos. Então até saber notícias, saber que estão todos bem fica aquele pânico”, afirmou a santo-angelense.
Ela confirmou ainda que com tempo ficaram sabendo que os familiares e os amigos estavam a salvo. No apartamento da família, no 9º andar de um edifício de Santiago, os estragos foram apenas materiais. “Uma amiga minha ficou na minha casa e falou que quebrou tudo que é louça, tudo que tinha no bar. Televisores e o computador também, mas nada que a gente não possa recuperar”, contou Maria.
O TRAUMA
Ambos concordam que os danos materiais causados pelo tremor sejam grandes, mas o fator psicológico, de quem viveu a tragédia, é o que levará mais tempo para se recuperar. “Eu acho que o pior, além do material, pelo que já vimos nas imagens, de pontes derrubadas e tudo mais, é o problema psicológico. Muitas pessoas ficam com medo. As crianças não dormem de noite. Eu tenho mais dois filhos no Chile e eles ficaram 3 ou 4 noites sem dormir. Muitas pessoas têm medo de voltar às suas casas e ficam dormindo em barracas na rua”, afirmou Maurício.
E não é para menos. Segundo o relato de uma amiga de Maria, a noite do terremoto foi realmente aterrorizante. “Tudo começou a tremer, a cair. Não se pensa em preservar as coisas materiais, mas sim em achar um lugar onde tu estejas seguro. Daí a luz apaga, os carros começam a soar os alarmes, começam explosões, porque os transformadores começam a explodir, aí algum lugar começa a pegar fogo, é bem assustador”, conta Maria Garcia.
O RETORNO AO CHILE
A família está desde o dia 2 de março na espera pelo retorno ao Chile. Agora eles decidiram embarcar para Porto Alegre. De lá, eles vão até São Paulo e ficam na espera pelo voo para Santiago. A expectativa é estar em casa amanhã pela manhã.
